Boletim de autoria do Prof. Vivaldo José Breternitz e 2 leituras recomendadas.
Maquiavel, frequentemente mal interpretado, continua relevante na era da inteligência artificial. Suas reflexões sobre virtù, fortuna, poder e controle encontram paralelo nos algoritmos que calculam riscos, moldam comportamentos e reduzem a incerteza. A IA amplia a lógica da otimização amoral, podendo intensificar a vigilância, a manipulação e as desigualdades. Assim como o príncipe controlava aparências e aduladores, os líderes de hoje enfrentam riscos semelhantes. O desafio é manter o poder do algoritmo sob a tutela da ética humana.
A liderança na era da IA exige atributos capazes de integrar múltiplas competências e de sustentar respostas adequadas a contextos cada vez mais complexos. Nesse cenário, a Eficácia na Resposta à Situação (SRE) assume um papel central. Ela se apoia em seis componentes: discernimento crítico para evitar vieses e falsas certezas; melhoria reflexiva para promover aprendizagem contínua; antifragilidade contextual para crescer a partir de desafios; astúcia moral e ética para orientar o uso responsável da IA; estrutura de apoio à conexão para preservar relações humanas de qualidade; e afinidade por criação de impacto para direcionar ações que produzam valor efetivo. Esses atributos auxiliam líderes a prosperar em meio à velocidade, à incerteza e às tensões potencializadas pela IA.
Versão em português elaborada com a autorização do autor.
A nova agenda de pesquisa da UNESCO propõe investigar como a Inteligência Artificial pode promover a equidade e a inclusão na educação. Embora a IA ofereça oportunidades de personalização e acessibilidade, ela também pode perpetuar desigualdades relacionadas ao viés algorítmico, ao acesso desigual e à baixa alfabetização digital. A pesquisa concentra-se em três dimensões — acesso, alfabetização e conteúdo/serviços — para orientar políticas e práticas que assegurem o uso ético, inclusivo e equitativo da IA nos sistemas educacionais.
Versão em português elaborada com autorização do autor
Em 2024, o estudante Chungin “Roy” Lee criou o Interview Coder (uma ferramenta de IA que auxiliava em entrevistas técnicas de programação em tempo real). Ao ser usada em processos seletivos em grandes empresas, gerou polêmicas. Após ser suspenso pela Universidade de Columbia, Lee fundou a Cluely, defendendo o uso ilimitado da IA. O caso reacendeu debates sobre ética e mérito, mas atraiu grandes investimentos. A automação e a IA estão reconfigurando o trabalho em tecnologia, substituindo funções humanas, reduzindo quadros e priorizando eficiência. O futuro aponta para um mercado mais seletivo, automatizado e eticamente desafiador.
A Inteligência Artificial vem transformando os negócios e a sociedade, mas seus impactos ainda se concentram em áreas específicas. Modelos de linguagem e machine learning identificam padrões e automatizam tarefas repetitivas, sem, contudo, desenvolver raciocínio próprio. Paralelamente, proliferam usos negativos, como fraudes e desinformação. O real diferencial competitivo depende da capacidade de treinar modelos para corrigir vieses e organizar dados. A IA favorece os chamados augmented professionals, ampliando a produtividade de especialistas; no entanto, ainda não representa uma mudança estrutural profunda.
A Inteligência Artificial e o blockchain já são centrais no comércio exterior. Sistemas de IA aceleram a classificação de códigos tarifários, analisam riscos em tempo real e reduzem gargalos logísticos, enquanto blockchains asseguram autenticidade documental, rastreabilidade e confiança nas transações. Contratos inteligentes reduzem custos financeiros, e sensores IoT permitem monitoramento contínuo em cadeias globais. Para o período 2025-2030, delineiam-se três cenários: integração plena e interoperável, modelos híbridos regulados ou fragmentação geopolítica que eleva custos. O desafio estratégico é adotar essas tecnologias de forma ética, sustentável e interoperável, com governança de dados robusta e capacitação profissional constante.
O texto aborda o impacto crescente da IA na vida cotidiana e profissional do indivíduo. Embora presente desde os anos 1950, a IA avançou rapidamente, sendo usada em ferramentas de busca e chatbots. A autora destaca a necessidade de gerenciar a IA de forma ética e eficaz e alerta para a necessidade de formação em IA, não só para especialistas, mas também para líderes, legisladores, educadores e a população em geral. Profissionais de IA precisam de competências técnicas, sociais e éticas, enquanto educadores precisam de formação para integrar a IA na educação. O texto defende o aprendizado contínuo, desde a infância, preparando, assim, as futuras gerações para a IA.
A tradução para o português foi feita com a devida autorização do autor.
O texto aborda o impacto da inteligência artificial generativa, especialmente do ChatGPT na Academia e no Judiciário. A ferramenta, desenvolvida pela OpenAI, destaca-se em relação aos buscadores tradicionais, pois entrega respostas prontas, utilizando modelos de linguagem avançados. No entanto, surgem desafios éticos, como a confiabilidade das informações geradas, a possível violação de direitos autorais e, até mesmo, à invenção de fontes. Segundo o texto na Justiça brasileira, o uso da IA já ocorre em tarefas administrativas e começa a se expandir para a fundamentação de decisões judiciais. O texto propõe reflexões sobre a responsabilidade no uso dessas ferramentas e a necessidade de regulamentação, principalmente em contextos como a pesquisa acadêmica e a atividade jurisdicional.
Neste boletim, nosso convidado, Maurício Minas apresenta a sua visão sobre a tecnologia de Inteligência Artificial e seus impactos no mercado, respondendo a 10 perguntas a respeito da temática. Para ele a evolução tecnológica sempre vem acompanhada de mudanças no mercado de trabalho. E ainda, quanto mais mecânica e repetitiva for uma atividade profissional, maior é a chance de ser substituída por uma máquina. Indagado a respeito de sua perspectiva sobre o uso dessa tecnologia hoje e no futuro, o autor aponta que grande parte da sociedade tem baixa compreensão sobre questões tecnológicas. Em se tratando de Brasil, sem políticas públicas e investimentos em educação, especialmente na rede pública, o país corre o risco de aprofundar o fosso digital e social.
Embora a inteligência artificial esteja cada vez mais presente no agronegócio, seu uso exige cautela, já que decisões equivocadas podem gerar grandes prejuízos. Ao contrário do que ocorre no mercado de consumo, onde erros de algoritmo têm impacto limitado, no campo fatores como o clima tornam as previsões incertas e potencialmente danosas. Tecnologias como sensores, dados de satélite e algoritmos têm otimizado a irrigação, reduzindo custos e aumentando a produtividade. No entanto, o fator humano permanece essencial: é o agricultor quem toma a decisão final. Profissionais de tecnologia devem compreender a realidade do campo e servir ao agronegócio com respeito, buscando sempre soluções eficazes e sustentáveis.
Dr. Christian M. Stracke é doutor em Economia e Informática e mestre em Ciências Educacionais. Atualmente, ele é coordenador na Cloud Strategh e na Virtual Colaboration na Universidade Alemã de Excellence em Bonn. É fundador e diretor do ELC, Instituto Europeu de Aprendizagem, Inovação e Cooperação.
Dr. Stracke tem se envolvido ativamente na capacitação de educadores sobre IA e estabeleceu redes para o compartilhamento de conhecimentos e melhores práticas. Ele enfatiza a importância da colaboração internacional e a necessidade de regulamentações específicas para a IA na educação, especialmente para proteger os direitos dos estudantes e garantir o uso ético.
Nesta entrevista, em inglês, Dr. Stracke discute a Educação Aberta tal como se apresenta hoje e a aplicação da Inteligência Artificial no campo educacional.
Igor Katz é líder da Comissão de Facilitação do Comércio da Câmara de Comércio Internacional (ICC) e é membro das Comissões de Direito Aduaneiro da OAB/SP. Katz é advogado e professor do LL.M de Tributação Aduaneira e Comércio Exterior do INSPER e IBMEC (Direito 4.0).
Nesta entrevista, Dr. Katz aborda os temas IA, Educação e o Futuro das profissões
Eduardo Bertassi possui graduação em Engenharia Elétrica (ênfase em Engenharia da Computação) pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP) e MBA em Gerência de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (2014).
Entrevista concedida pelo ChatGPT a respeito do chatbot lançado pela OpenAI, ChatGPT
Saarinen faz pesquisas sobre Inteligência Artificial e é fundador da Edapt Technologies. Saarinen tem Ph.D. em Ciência da Computação pela Brown University. Sua tese aborda a aplicação de machine learning para avaliação educacional. Seu trabalho atual foca em três problemas críticos: instrução personalizada e currículo; revisão de conteúdo e prática e avaliação adaptativa. É autor do livro Education: The Next Hundred Years. Foi convidado como palestrante na 1ªConferência no Oriente Médio sobre Inteligência Artificial na Educação Superior.
Nesta entrevista, Dr. Saarinen aborda o tema Inteligência artificial (IA) e educação focando no futuro pós-Covid.
Emmanuel Goffi tem Ph.D. em Ciência Política pela Science Po-CERI. É também Co-Director e Co-Fundador de Global AI Ethics Institute em Paris. Além disso, é pesquisador associado no Laboratório de Big Data na Goethe Universität em Frankfurt, Alemanha, e no Centro de Defesa e Estudos de Segurança em Winnipeg, Canadá.
Dr. Goffi serviu na Força Aérea Francesa por 27 anos. Sua carreira acadêmica traz no bojo experiências adquiridas na França, Canadá e Alemanha, onde ele ensinou e faz pesquisa em RI e ética há 15 anos. O professor ainda é solicitado a lecionar e dar conferências pelo mundo todo.
Nesta entrevista, em inglês, Dr. Goffi discorre sobre os temas direito, inteligência artificial e ética no meio digital.
Mestrando em Engenharia da Computação pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Nesta entrevista, Bertassi responde questões sobre Inteligência Artificial.
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